Quebrada Queer


onerb: Qual a perspectiva do Quebrada Queer em relação aos espaços de rap e LGBT e como vocês visam juntar os dois tanto pro meio LGBT de levar o rap, quanto pro meio do rap de levar as(os) LGBT's? 

Quebrada Queer (Guigo): A gente nunca teve uma perspectiva na música e nos últimos anos tivemos que desbravar esses espaços onde nem a nossa música (rap) tinha espaço no cenário LGBTQ e nem a nossa existência (Gays) tinha legitimidade no universo do rap. Acontece que de alguma forma a gente criou esse espaço de sobrevivência e descobrimos que ele não deveria ser solitário, afinal de contas existem diversos artistas QUEERS resistindo e desbravando espaços onde a gente ainda não pode alcançar.
Eu quero dizer, estamos hoje em um dos principais canais de rap no Brasil (RAPBOX), apresentando um som que traz 5 experiências diferentes do universo LGBTQ, pra um público majoritariamente masculino, e fizemos isso com muito profissionalismo e coragem, sabe, isso nunca aconteceu, nunca houve algo nessa dimensão, e isso é sem duvida fruto de todos esses anos em que cada um de nós travou batalha na música sozinho, cada um fazendo seu trabalho, solidificando seu público, pra hoje ter força e somar forças pra entrar pela porta frente, com tapete vermelho estendido pra passarmos.



onerb: O primeiro som foi lançado conta pra gente qual o intuito da música e o que podemos esperar do clipe? 

QQ (Lucas Boombeat): O intuito desse primeiro som foi passar um pouco da nossa vivência. Cada um da sua forma, mostrando a diversidade existente entre nós bixas, na maneira de existir e fazer nosso rap. 
Um grito de resistência de todos nós que cruzamos uns aos outros, mesmo quando só um está cantando. Pois levamos experiências particulares e muito semelhantes ao mesmo tempo. Referente ao clipe, vocês podem esperar muitas cores, muito close, muita beleza e muita garra nos olhos de cada bixa presente! 



onerb: De onde surge a ideia de juntar 5 bichas pretas que tem como o rap o foco no seguimento musical? Pra vocês é mais fácil de desenvolver trampos e alcançar público? 

QQ (Guigo): A ideia partiu de um princípio muito discutido em nosso meio, eu e Murillo já éramos bem próximos e sempre pensamos em como seria legal essa troca, a partir disso Murillo trabalhou em um som em colaboração com Harlley (o que já criou uma ponte), eu já trocava ideias com Tchelo e Lucas surgiu como um quinto elemento essencial, e percebemos que essa vontade já existia em todos nós! Murillo tomou frente e assim nasceu o Quebrada Queer. Não dá pra dizer que é mais fácil desenvolver, mas acontece que quando se trava uma batalha sozinho, as chances de cair e não se levantar são grandes e percebemos que juntos a nossa voz tem mais força ainda, além do suporte que um oferece pro outro sabe! Juntos, a gente se fortalece sempre, é enriquecedor pra vocês que escutam e pra gente que cria .



onerb: Qual a principal mensagem do Quebrada Queer? 

QQ (Tchelo Gomez): Acredito que temos muitas mensagens importantes pra passar, muita coisa precisa ser dita ainda! 
Por hora, a música que abre os trabalhos tem a missão de comunicar nossa existência e celebra lá.



onerb: O que podemos esperar de um lançamento completo como álbum/EP?

QQ (Harlley): Nós temos propostas muito interessantes de sonoridade para esse material do QQ, e embora todos os integrantes tenham as suas identidades muito características, lidamos bem com a fase de criação. Eu aconselho que não esperem algo específico, porque vamos surpreender!



onerb: O que é a quebrada pra vocês, e o que é o queer? No caso como vocês hoje veem esses espaços tirando o rap da questão. 

QQ (Tchelo Gomez): São os lugares de onde viemos, as periferias em que crescemos e  nossos lugares de origem e o queer não poderia ser mais perfeito, é como nos sentimos, e isso é tão real, que independente do rap em nossas vidas sempre fomos e nos sentimos estranhos onde quer que fosse, inclusive em nossas quebradas. 



onerb: Qual a música do grupo será a mais ácida? A gente pode ter um spoiler?

QQ (Murillo Zyess): Nós ainda estamos trabalhando no processo de composição, então é incerto dizer, mas a Cypher Quebrada Queer é beeem afiada nas palavras, e a gente gosta disso, então posso dizer com propriedade que por enquanto é ela a mais polêmica assim.. não pretendemos focar só nesse tema específico.. queremos fazer sons celebrativos e dançantes também, sem tanta carga reflexiva.. 



onerb: A gente pode esperar uns love songs do Quebrada Queer? 

QQ (Murillo Zyess): Eu particularmente adoro love songs e sei que as pessoas gostam muito, e também não tenho muito da necessidade de estar vivendo pra poder escrever, especificadamente pra esse assunto eu consigo ser intérprete para escrita, alguns dos meninos tem um certo bloqueio do romantismo kkkk mas acho que um love song é sim algo bem concreto que terá.



onerb: As musicas serão todas vocês cantando juntos ou terão singles solos e duplas, trios? 

QQ (Lucas Boombeat): Todas as músicas que forem lançadas como Quebrada Queer, nunca será apenas um cantando. Pode ser que aconteça um som ou outro com dois ou três dos integrantes, mas não definimos isso ainda porque estamos em processo de criação.



onerb: Como vocês enxergam o cenário atual do rap com tudo que tem acontecido, desde os acontecimentos bons, aos acontecimentos (nabrisa) errada?


QQ (Harlley): O cenário do Rap sempre esteve muito diverso e lotado de pessoas maravilhosas querendo fazer sua voz ser ouvida, o grande problema é que a indústria é completamente machista e seletiva, estamos começando a ser vistos como rappers agora, porque decidimos invadir esse espaço, se fôssemos esperar pelo convite, eles não nos chamariam. É muito importante que o público do rap seja tão seletivo quanto á indústria, que essas pessoas procurem por nós. Não somos as únicas bichas no rap e é importante que todas tenham voz!

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